Acolha as crianças, como Jesus as acolheu


Carlos Queiroz

“Alguns traziam crianças a Jesus para que ele tocasse nelas, mas os discípulos os repreendiam. Quando Jesus viu isso, ficou indignado e lhes disse: ‘Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele’. Em seguida, tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou. (Mc 10.13-16.)

Jesus ensinava o que fazia e fazia o que ensinava. Por sua prática de acolhimento, ele estava ensinando um novo jeito de se lidar com as crianças. Os pequeninos nunca representaram barreira para sua missão.

Quando trouxeram as crianças, os discípulos reagiram negativamente. Para eles, aquela não era uma ocasião propícia para se trazer crianças. Parece normal que as crianças sejam acolhidas, se abrimos um parêntese em nossas programações, se há um dia marcado ou uma sala especial. Mas se as crianças aparecem nas ocasiões não previstas, nós as rejeitamos do mesmo modo como os discípulos de Jesus fizeram.

A indignação de Jesus é decorrente da sua percepção em relação à indiferença e repúdio que os discípulos manifestaram em relação às crianças. Pela primeira vez se usa a expressão “indignação” para se referir a um sentimento de Jesus Cristo. Ele ficou indignado.

Os discípulos não deveriam criar embaraço para que as crianças se aproximassem de Jesus. A presença da criança é sempre bem-vinda e prazerosa. Se você não se sente bem com a presença de crianças há alguma coisa errada na sua interioridade. Ou, se alguma atividade não é propícia às crianças, provavelmente essa atividade não possui a natureza do reino de Deus.

Precisamos descobrir formas criativas de aproximação coletiva e pública com as nossas crianças. As crianças precisam de espaço social acolhedor que propicie proteção e vida abundante. O lar, os templos, escolas e praças de lazer e esporte são necessários a qualquer criança em qualquer lugar do mundo. Embaraçar o acesso da criança a esses bens da vida causa indignação a quem tem o mínimo de senso de justiça e noção sobre direito.

A nossa atitude em relação às crianças acontece numa pedagogia de duas mãos – enquanto as abençoamos, aprendemos com elas a respeito da simplicidade do Reino de Deus. É o reino das pessoas que não possuem poder de compra, não estão nos escalões de poder social, não são reconhecidas por critérios de produção, e em sua fragilidade humana dependem muito mais de Deus. As crianças, além de priorizadas por Jesus Cristo, representam os critérios de cidadania das pessoas comprometidas com o Reino de Deus e o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Seguindo o exemplo de Jesus Cristo, animo a todas as pessoas a buscarem criativamente caminhos inteligentes que possam tornar as nossas crianças agentes e motivo de nossa vocação e missão.

Carlos Queiroz, casado, dois fi lhos, é pastor da Igreja de Cristo, em Fortaleza, CE. É diretor executivo da ONG Diaconia e autor de Ser É o Bastante – felicidade à luz do Sermão do Monte (Editora Ultimato, Encontro Publicações, Visão Mundial, 2006).




www.maosdadas.org/bonstratos
Acesse o site brasileiro da Campanha Latino-americana pelos Bons Tratos da Criança

1 comentários:

Walquíria e Bruno disse...

Todos nós precisamos de AMOR... Ainda mais os pequeninos! Que o Senhor nos ajude a cuidar deles, como Ele quer que cuidemos.
Bjus!